Ok, computer!


Chega mensagem no e-mail: "Fulana te convidou para fazer parte de sua rede de amigos no Seilaoque.com". Recado no Orkut: "Você nunca mais entrou no MSN". Recado no MSN: "Depois vê se aparece lá no Orkut".

Eu fico pensando em como certas pessoas dão conta de tanta "internetividade". Tem gente que participa de simplesmente todas as "redes sociais" da Internet. Como se fosse, se é que não são, um programa de computador, elas estão por toda a parte: mil contas de e-mail (o que te obriga a perguntar pra onde enviar uma mensagem ou mandar para os vários endereços de um único destinatário), sei lá quantos perfís no Orkut (cada um com 1000 "amigos"), blog, Twitter, Last FM, MySpace, Second Life, MSN (sempre com mais de 20 janelas abertas), AMI, Face Book, Yahoo Respostas, fóruns sobre um monte de coisas, jogos, etc., etc. e etc. Como é que dá conta disso tudo?!

O foda é que cobram que as outras pessoas tenham o mesmo comportamento, que passem 24 horas interagindo com o mundo virtual. Não, eu não consigo. Não tenho conteúdo para me dedicar tanto assim a esse mundinho tão infinito que é a Web. Na vida real, este espaço onde a gente tem que encarar as pessoas olho no olho, usar nossos cinco (ou seis) sentidos para se relacionar, não dá para ficar atrás de uma tela. No mundo real a gente tem que conviver com gente chata sem poder colocar um "aparecer off line", tem que encarar os problemas sem poder se desconectar.

Tudo bem, computador, você venceu! Mas no mundo virtual, não tem beijos e abraços.

Constatação: estou realmente ficando velha...

Ah, e NÃO sou eu na foto lá de cima.



Ouvindo:
Bad Religion - American Jesus
Cat Power - Babydoll

Caso de Pulitzer? Ou de polícia?

Quando eu era criança eu quis ser muitas coisas. Não me lembro de tudo que eu queria ser, mas entre as minhas opções estavam ser arquiteta, desenhista, jogadora de futebol, jogadora de handbol, saxofonista, piloto de fórmula 1 e jornalista. Enfim, hoje eu acho que o legal mesmo é ser fiscal da natureza. Mas vale lembrar que não segui nenhuma dessas profissões, fui para a área de informática.
O fato de eu um dia ter tido a vontade de ser jornalista me faz ter uma certa simpatia pela classe, tanto é que aqui na barra lateral do blog demonstro meu apoio à causa dos jornalistas que exigem a obrigatoriedade do diploma para se exercer a profissão. Mas isso não vem ao caso agora.
Como eu vinha dizendo, quando eu era criança e queria ser jornalista e exercitava meu "potencial" de duas formas. Produção, sonoplastia e locução da "rádio" Toco Cru Pegando Fogo, gravada em fita K7 - naquele tempo não tinha mp3 e computador pessoal não era algo muito comum - em parceria com minha irmã e uma vizinha; e uma "publicação" de uma página só, que eu chamava de revista, a qual só circulava lá em casa mesmo, entre os parentes. Tal preciosidade se chamava MERD'S (pelo título já dá pra perceber o motivo de minha pretensão jornalistica ter sumido), lá eu escrevia muita merda bobagem, muita coisa inútil, muita bizarrice e inutilidades em geral. Acho que produzi a MERD'S entre 9 e 11 anos.
O que me surpreende é que tem gente que faz merd profissionalmente. Estou falando do jornaleco tablóide sensacionalista Meia Hora. Pra quem não sabe, se trata de um "jornal" popular, que fica entre a picardia, a vulgarice e a falta de ética. Certas coisas são tão bizarras que é praticamente impossível não rir, outras dão vergonha alheia. Detalhe interessante é que as matérias não são assinadas. Isso mesmo, os "jornalistas" que escrevem para o Meia Hora não querem ter seu filme queimado por trabalhar num veículo que estampa manchetes como:




Ouvindo: Meet the Flinstones (hahaha)

Aos medíocres

Esse é da série eu-não-sei-se-o-texto-é-dela. Hoje recebi no meu e-mail um texto com a assinatura da Fernanda Young. Não sei se é mesmo dela, já que todo mundo sabe da quantidade de textos creditados a autores famosos que nunca os escreveram. O fato é que por algum motivo gostei dele. Fique naquela de se postaria ou se não postaria aqui. Como faz tempo que não posto nada, resolvi fazer dele a minha primeira postagem do ano para não dar a impressão de que entreguei isso aqui às moscas. Segue o texto da Fernanda Young (ou não):

"Atenção para um aviso importante: a mediocridade é opcional. Ao contrário das outras mazelas da vida, essa você só tem se quiser. Sendo que já não será um medíocre quem tentar não sê-lo. E tentar é fácil, tente.
Está provado: o ser humano é metade genes, metade meio-ambiente. Você não pode fazer nada se a genética não lhe favoreceu em algum aspecto, mas pode fazer tudo para melhorar a qualidade da sua relação com o resto do mundo. Tirando dele o que ele tem de melhor e vice-versa. Não estamos dizendo que vai ser fácil mas por acaso é fácil dançar a dança da garrafa?Comece negando tudo que lhe parecer "medianamente médio".
Lembre-se que ser medíocre é mais confortável, por isso fuja do "ah, se tanta gente gosta, por que que eu não vou gostar?" Você não vai gostar porque você merece melhor. Já que ser mediocre é viver na zona franca da existência, feliz por ser mais um igual. Quando só a diferença faz diferença, por menos diferente que ela seja. Só rompendo com esse poder - sim, a mediocridade é um poder que controla nossa vida como um déspota cafona - só rompendo com esse poder, poderemos salvar a humanidade. A luta é diária e individual. Mas sempre valerá a pena, pois de mesmice morrem os mesmos".

Ouvindo:
The Smiths - This night has opened my eyes
Beatles - Black Bird

Fragmentos encontrados de versos perdidos

Marina estava certa,
“os momentos felizes
não estão escondidos
nem no passado,
nem no futuro”
A felicidade é presente

Meias verdades só são ditas
quando se acredita em mentiras inteiras


Ouvindo:
Orquestra Imperial – Me deixa em paz
BB Brunes – La chanson cachée
Cascadura – 12 de outubro
Moptop – Paris

Ho-ho-ho! Está chegando o Natal...


Eu não gosto do Natal. Pra mim é a pior data do ano, por uma série de fatores, que se fosse enumerar não caberia numa única postagem. Como o lado ocidental do nosso planetinha é cristão e o Brasil é o país com o maior índice de “cristãos” (esse foi entre aspas porque na minha opinião, pelo menos metade dessas pessoas que se declaram cristãs só o são no rótulo) não tenho escapatória, não tem como se manter indiferente ao dia do deus Sol.

Não sei exatamente o motivo que me faz não gostar do período natalino, talvez a demagogia das pessoas nessa época, talvez meu desapego religioso, talvez o apelo consumista, que transformou a figura de Seu Nicolau (que foi construída para ser um símbolo de caridade) em um símbolo comercial, talvez pela demasia de lembretes de que a data se aproxima, talvez por causa da voz da Simone cantando Então é Natal - John Lennon não sabia que suas War is Over (com suas inúmeras versões) e Imagine se tornariam clichês natalinos quase que banalizados. Por que cargas d’água todo ano os entusiastas do Natal usam essas mesmas músicas pra vender seus peixes?! Enfim, não sei mesmo o que me leva a não gostar, talvez, ainda, seja pela forçação de barra (se algum apaixonado pela língua madre se ofender com o meu "forçação", desculpe, me dei conta de que não faço a menor idéia de como se escreve e meti duas cedilhas).

Quando era criança, passávamos o Natal na casa da minha tia, com toda a família, mas acho que não entendia direito a razão daquela festa que tinha que se esperar até meia-noite para comer as frutas secas (que na minha família só aparecem nessa época mesmo). Conforme fui crescendo fui aprendendo sobre o simbolismo da data e vi que tudo aquilo fazia ainda menos sentido. Hoje não vejo praticamente sentido algum, mas mesmo assim me vejo presa à noite do dia 24 e madruga do dia 25 com a família.

Pelo bem da verdade, tenho que dizer que há coisas que me agradam no Natal. A decoração, por exemplo, gosto das luzes nas ruas, nas casas, nos prédios, etc. Por isso coloquei até um pisca-pisca Ching-Ling (leia-se made in China) aqui em casa para enfeitar. E a rabanada! Adoro rabanada e só dá pra fazer rabanada apropriadamente nessa época do ano (já tentei com pão dormido, mas não fica igual). Presentes podem ser dados/recebidos em qualquer data, então não entram na lista de coisas peculiares ao Natal que me agradam.
Ah, mas se você é uma das pessoas que gostam, já te desejo, bem antecipadamente, um feliz Natal.

Olhar para o lado

Meus queridos três leitores, eu sempre me questionei sobre "ajuda humanitária", sobre pessoas que se dispõe a ajudar povos distantes mas ignoram a favela que pode ser vista da própria janela e também precisa de ajuda. Minha crítica vinha da minha total ignorância e falta de sensibilidade. Digo que me faltou sensibilidade porque eu não acreditava acredito na verdade desse tipo de "altruísmo". Acho (achava?) que uma pessoa que se dispõe a ajudar um Timor Leste da vida mas não é capaz de ajudar as vítimas das nossas guerras civis brasileiras (sejam guerras civis de fato ou "guerra" contra a miséria, a desnutrição, analfabetismo, etc.) não está sendo sincera, me soa falso, me parece apenas desencargo de consciência. Mas hoje, vendo várias reportagens sobre a tragédia em Santa Catarina, percebi que não tem importância se as diversas formas de ajuda partem de alguém que só quer posar de bonzinho ou de quem se sente realmente tocado com a causa: o importânte é que a ajuda chegue até lá, independente de onde parta.
Então, o pessoal lá de SC, principalmente de Itajaí (cidade que ficou 97% - você não leu errado - coberta pelas águas das chuvas), está precisando muito de sua ajuda. Não sei como você pode ajudar... talvez possa fazer uma doação em dinheiro à Defesa Civil de Santa Catarina no Bradesco (agência 068-0, conta corrente 80.000-0) ou no Banco do Brasil (agência 3582-3, conta corrente 80.000-7), talvez possa enviar roupas, alimentos, brinquedos, material de higiêne pessoal, etc. (lembre-se que eles perderam tudo), talvez você não possa doar nem grana nem outras coisas, mas provavelmente você conhece alguém que pode, então divulgue. Divulgando você corre o risco de fazer com que mais ajuda chegue até lá.

Ah, já ia me esquecendo de dizer que tem vigarista querendo lucrar com isso, pedindo doações para contas que não são da DCESC (Defesa Civil do Estado de Santa Catarina)! Os números das contas que postei aqui foram retirados desta reportagem do Jornal do Brasil.

Se você puder ajudar de alguma forma, pode ter certeza, vai ter muita gente grata.

Coisas que me irritam - Parte 1

Ter que explicar a mesma coisa mil vezes para a mesma pessoa.

Gente que não entende mesmo depois de eu ter explicado mil vezes.

Gente mais teimosa que eu.

TPM, a minha (a das outras, foda-se).

Comédias sem graça (daquelas que a gente fica esperando o momento de rir, mas ele simplesmente não aparece).

Banheiro sem papel higiênico.

Banheiro público sem papel higiênico e sem água.

Banheiro público sem papel higiênico, sem água e sem porta.

Porta batendo.

Acordar por causa de algum barulho (do despertador e/ou do telefone, por exemplo).

Hipocrisia.

Demagogia.

Ficar sem Internet.

Rwindows travando.

Rádio que só pega uma rádio.

Mensagens do tipo "Vivo informa: seus créditos estão esgotados".

Suspenses óbvios.

Mentiras estúpidas.

Banda Calypso fazendo cover dos Beatles.

Chuva quando quero ir na praia.

Rinite.

Torneira pingando.

Falsidade.

Fofoqueiros.

Tentativas de conversão.

Descobrir que comeram meu chocolate.

Vizinho que ouve forró no último volume domingo de manhã.

Toc toc de salto alto no andar de cima.

Lembrar quando quero esquecer.

Esquecer quando quero lembrar.

Ficar com o salto agarrado num paralelepípedo da rua.


Trilha sonora: Jorge Ben Jor - Chove chuva / Creedence - Have you ever seen the rain / Guns - November rain

Só sei que nada sei

Eu não sei. E não sei também porque as pessoas não gostam, têm vergonha, medo ou coisa parecida de dizer que não sabem. Assumir não saber não é covardia, pelo contrário, é verdade. E verdades deveriam ser vistas como coisas positivas. Claro que estou falando das minhas verdades e não das verdades alheias. Cada um tem sua própria verdade e acreditar na verdade dos outros é uma das piores mentiras!
Não acredito em verdades absolutas, por isso me dou o direito de mudar de opinião daqui a cinco minutos. Acredito que cada um tenha o direito de acreditar ou não no que bem entender. Acredito no respeito e na liberdade como maior bandeira. Somos livres? Se não somos, seremos quando acreditarmos em nós mesmos antes de acreditar em fatores externos.
Claro que quando você souber a resposta, tiver certeza, responda com toda a sinceridade. Mas quando não souber, não se envergonhe de dizer que não sabe.
Eu não sei. E resolvi escrever isso aqui hoje, porque já postei tantas vezes, em tantos lugares diferentes sobre as coisas nas quais não acredito que achei legal falar sobre o que acredito, a verdade. E a minha verdade é assumir que não sei tudo e que ainda tenho muito o que aprender.


Ouvindo enquanto digito: Radiohead - High and dry

Da série "poemas da minha adolescência"

Cupins fizeram a festa em uma de minhas gavetas. Por esse motivo, tive que tirar tudo do armário para tentar uma inútil dedetização local. Digo inútil porque o armário do meu quarto é feito com a tal da madeira que os cupinzinhos miguxos não gostam, por isso eles invadem o armário, como se fossem os detestáveis militantes do MST à procura de terra improdutiva, quero dizer a procura de alimento, que no caso são as roupas e papéis que estavam dentro do guarda roupas, já que a madeira eles se recusam a comer. Ou seja, os cupins provavelmente estão na alvenaria, vulgarmente falando, no tijolo ou no subsolo e não no meu armário! Não adianta nada dedetizar só ali.
Mas essa lenga-lenga foi para dizer que por conta de ter que esvaziar o armário, encontrei coisas que nem sabia mais que existiam, entre essas um caderno antigão com as páginas já amarelando-se. E nesse caderno estava o poema que segue, escrito em 28/06/05. Tá bom, eu já nem era mais adolescente nessa época, mas o título do post fica esse mesmo...


Os meus grandes ídolos do rock

Não acredite na verdade
Ele nuna amou, mas sabia o que era o amor
Vem comigo pra chuva
Morde o meu pulso e chupa meu sangue
Faz um verso infantil se tornar erótico
Eu te dou um cheque em branco num beijo
Todo mundo se machuca
e todo mundo chora
Você tem medo do escuro
Ela se jogou da janela
Mas a culpa não é sua
É só uma forma de mostrar força
Tem que saber esperar a hora certa
Você precisa de um pouco de paciência
Um mergulho na praia te liberta de todo esse peso nas costas
Tome um porre, deite na grama
Fique olhando as estrelas
Você vai encontrar o seu próprio caminho
Não coloque seus sentimentos nas minhas mãos
Porque eu e você, nós seremos eternos.